Defesa dos clientes lesados do BES faz-se ouvir na Comissão Parlamentar

20-02-2015 16:01

A Comissão Parlamentar de Inquérito ouviu hoje os representantes dos clientes bancários lesados relativamente à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

 

Depois de uma reunião com o Banco de Portugal no passado dia 13 de fevereiro, a entidade reafirmou que o Novo Banco não tem de compensar os clientes que compraram papel comercial do Grupo Espírito Santo. A solução para estes casos apenas pode avançar se o seu equilíbrio financeiro não for afetado.

Ricardo Ângelo, presidente da Direção da Associação de Defesa dos Clientes Bancários Lesados, perante os deputados, lembrou que muitos dos clientes que investiram em papel comercial das ‘holdings” do GES enfrentam graves dificuldades financeiras. “Há pessoas que têm dificuldade em pagar uma quota de 50 euros e não têm dinheiro para viver. São pessoas que perderam tudo, fruto do sistema bancário e não por haver uma vigilância correta”, afirmou.

O presidente salientou ainda o carácter enganoso que o processo de investimento destas aplicações teve. Segundo Ricardo Ângelo, o banco realizou uma “campanha agressiva” especialmente com os clientes mais antigos, que possuíam poupanças, para que investissem nas aplicações – papel comercial da Espírito Santo Internacional (ESI), Rioforte e ESPART – sem que tivessem conhecimento do risco. “Isto é quase criminoso. Nunca foi dito que havia risco. E há pessoas que puseram o dinheiro todo. Se dissessem que havia risco, nunca ninguém ia por o dinheiro todo”, acusa o representante.

A associação de defesa dos clientes lesados representa 500 dos 2.500 clientes do BES afetados com este problema. Ricardo Ângelo assegura que entre 60% e 70% dos associados são reformados e que a média dos investimentos ronda os 140 mil euros. “As poupanças de uma vida”, como o presidente se refere a este dinheiro perdido, são o principal motivo pelo qual ele espera que o governador cumpra a promessa de não deixar que seja lesado quem confiou no papel comercial. 

 

Fontes: Lusa, TSF, Observador

Por: Adriana Ribeiro e Catarina Silva

Foto: Observador